sábado, 24 de agosto de 2013

Novos tempos...que tal falarmos de: GESTAÇÃO

Algum tempo sem escrever e a minha justificativa é o tema de hoje do blog. Sim, vou ser mamãe e me vi com dificuldade em deixar cair essa ficha tão rapidamente. É muita informação, conselhos, palpites, medos e ansiedades que rodeiam os primeiros meses dessa jornada rumo ao desconhecido. A primeira coisa que acontece é que você deixa de contar o tempo em dias ou meses e passa a contar com semanas...e elas demoram muuuuito para passar. Por conta dessa montanha russa de sentimentos que rondam as grávidas, decidi falarmos um pouco sobre os aspectos psicológicos da gravidez.
É importante salientar que: a mulher fica (de forma nunca antes vivenciada) em uma condição de vulnerabilidade emocional intensa na gravidez. Ela fica exposta a múltiplas exigências, e vivencia um período de reorganização corporal, bioquímica, hormonal, familiar e social que a faz ficar propensa a uma multiplicidade de sentimentos. São novos papéis sociais intrafamiliares (de filha passa para mãe) e extrafamiliares (novo papel na sociedade) a serem também gestados dentro da mulher. Sentimentos de ansiedade, insegurança, incerteza e medo normalmente são experienciados pela gestantes. Esses sentimentos variam de intensidade e dependem da personalidade da mulher, sua relação com o parceiro, sua relação com sua mãe, se a gravidez foi desejada...Maldonado (1988) ressalta que a gravidez é uma transição que faz parte do processo de desenvolvimento e envolve a necessidade de reestruturação em várias dimensões; uma delas é a mudança de identidade e a nova definição de papéis.
Outro aspecto que podemos levantar é a mitização do processo gestacional, ou seja, o mito de que a grávida esta em um processo quase mágico de profunda felicidade e realização. É como se a grávida precisasse dar saltos de alegria a cada 5 segundos. O vínculo com o bebê, é exigido que seja instantâneo ao se descobrir grávida, os medos são minimizados, os desconfortos físicos (enjoos, dores e etc) são desvalorizados ou vistos como "o preço pequeno a se pagar" diante da magnitude da maternidade. Nem sempre é assim e quando não é, a gestante se cobra para adaptar-se às exigências do imaginário social. A sociedade tende por uma interpretação maniqueísta, se não ama a gravidez, a rejeita. 
Por esse motivo é que se faz importante compartilhar essas ansiedades, esses sentimentos seja em um grupo de gestantes ou em mesmo em uma psicoterapia individual. 
Seguem algumas das maiores ansiedades que podem surgir no período da gestação de acordo com com o período: 


 1º Trimestre
1. Ambivalência afetiva (aceitação X rejeição).
2. Dúvida quanto estar grávida.
3.Fantasia do aborto.
4.Impressão de estar fazendo mal ao feto (alimentação...).
5.Nascer filho deformado.

6. Introversão, insegurança e sensibilidade.]
2º Trimestre
1.O mais estável período emocional.
2.Menor ansiedade (sente os movimentos do bebê).
3.Diminuição do desejo sexual.
4.Aumenta necessidade de receber carinho, cuidados e proteção.
3º Trimestre
1. Elevação da ansiedade.
2.Preocupação com o parto.
3.Preocupação com  a responsabilidade.
4.Interferência da família

Claro que essas ansiedade podem mudar de acordo com casa mulher, mas é importante refletir sobre elas.

Referências Bibliográficas

MALDONADO, Maria Tereza Pereira. Psicologia da Gravidez: Parto e puerpério. 9ª  Ed. Petrópolis: Vozes, 1985.


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Psoríase, como tratar na esfera psicológica?

A psoríase, doença dermatológica que envolve grandes prejuízos nos aspectos sociais, físicos e ambientais, acarretando um comprometimento na qualidade de vida. Ao longo dos anos, o estudo da psoríase tem se intensificado e esclarecido aspectos importantes no mecanismo da doença e de novas formas de tratamento. De uma doença de pele, a psoríase hoje é  considerada uma doença sistêmica, inflamatória e mediada pelo sistema imunológico, onde há base genética.A psoríase é uma doença de pele crônica que acarreta um sofrimento constante, tanto no aspecto físico (feridas, manchas e outros) e sociais (preconceito, dificuldade de relacionamentos).



Fenômenos emocionais são frequentemente associados ao aparecimento desta doença. A psoríase está incluída no grupo das erupções papuloescamosas, caracterizadas pela presença de pápulas e escamas superficiais. Essas erupções são responsáveis por grande número de casos e evoluem em episódios separados, com períodos de latência inconstantes, ao acaso e com momentos de melhora total, com desaparecimento das lesões. (Cohen, 2000). 
O que se sabe com relação aos aspectos emocionais é que a ansiedade, a instabilidade emocioinal, a inseguraça, a presença de disturbios familiares, a inibição da agressividade e a depressão são frenquentemnte associados à piora das lesões. (Preto, 2001). Outro fator de piora é a intensa estigmatização que os portadores da psoríase sofrem, pois devido ao desconhecimento da população em geral, a doença é considarada contagiosa. Isso causa problemas com autoestima, isolamento social e rejeição. Como um círculo patológico, a pessoa portadora de psoríase se angustia e deprime diante da expericencia de estigmatização, o que acarreta em piora do quadro e mais estigmatização. Por esse motivo é que o trabalho psicoterapeutico para pessoas com a doença se torna fundamental. 
Dentre as técnicas da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) para o tratamento da Psoríase, podemos destacar:

  • Treino do controle do estresse
  • Relaxamento
  • Reestruturação cognitiva
Treino de controle do estresse: O estresse é um estado que ocorre quando a pessoa se depara com eventos que colocam em perigo seu bem-estar físico ou psicológico. As tentativas para a adaptação à presença contínua de um fator estressor podem esgotar os recursos do corpo e torná-lo mais vulnerável à doença.

O estresse excessivo promove desgaste do organismo e aumenta a vulnerabilidade às doenças, tendo relação com seu aparecimento ou agravamento.No paciente com psoríase, o Treino do Controle do Estresse tem como objetivo a análise funcional dos estressores através da avaliação objetivo de quatro pilares no cotrole do estresse: relaxamento, alimentação, exercícios físicos a a modificação dos pensamentos (esfera cognitiva).
Relaxamento: o relaxamento é uma técnica altamente eficaz para a redução da ansiedade. Uma técnica específica é o Relaxamento Muscular Progressivo de Jacobson (que já falamos aqui no blog)
Reestruturação cognitiva: Se observa que portadores de psoríase, mais que outros com doenças de pele, sentem-se desprezíveis, sujos e intocáveis. Temem ser isolados, rejeitados e apresentam fantasias de abandono. Sentem a exclusão como falta de reconhecimento, no sentido da aceitação de sua identidade, como a rejeição que os coloca em uma classe, casta ou condição inferior; sentem-se possuidores de uma identidade repugnante e sofrem frente a uma sociedade que estabelece padrões ideais de beleza e de adequação. O problema da pele acaba favorecendo sensações de discriminação, inadequação e insatisfação quanto à aparência física. A reestruturação cognitiva tem como objetivo avaliar as crenças disfuncionais reciclando as por cognições (crenças, pensamentos e ideias) mais racionais. Desta forma, a terapia cognitivo-comportamental tradicional implicitamente promove mudanças amplas na relação que a pessoa mantém com seus pensamentos. Como resultado de repetidamente identificar pensamentos, crenças e distorções e tomar uma atitude crítica em relação a eles, a pessoa consegue realizar uma mudança geral em sua perspectiva para com os eventos cognitivos. 
Finalmente se percebe que, além das características clínicas da psoríase, as condições psicológicas e satisfação quanto à aparência física são fatores que interferem no impacto da doença sobre a qualidade de vida. Avaliar e buscar tratamento destas condições psicológicas são fundamentais para o tratamento da doença. 
Procure ajuda!

Referências Bibliográficas:

Mingorance, Loureiro, Okino & Foss, Pacientes com psoríase: adaptação psicossocial e característica de personalidade, Medicina Ribeirão Preto, 2001.
Silva & Torrezan. Psoríase e sua relação com aspectos psicológicos,stress e eventos da vida, Rev. Estudos da Psicologia (Campinas), nr 24, vol.2, 2007





quarta-feira, 24 de julho de 2013

Insônia e TCC

A insônia é uma condição comum que ocorre como um problema crônico e persistente em 10% a 15% da população. Para pessoas com doenças psiquiátricas, como depressão e ansiedade é mais provável que a insônia seja persistente e tenha impactos negativos na qualidade de vida e no desempenho profissional. Comum em idosos, a insônia pode prejudicar a saúde e aumentar a mortalidade. Estudos apontam que a terapia cognitivo comportamental (TCC) é semelhante à dos medicamentos hipnóticos, e é até mesmo superior quando se avalia a satisfação dos pacientes a longo prazo. A TCC entende que a insônia forma uma espécie de ciclo vicioso, pois uma vez que esta estabelecida a insônia, independente da causa, os pensamentos em relação à perturbação do sono podem determinar a piora ou continuidade do problema. Pertubações comportamentais do sono, como higiene precária do sono, sono irregular e horários em que desperta, além de cochilos durante o dia, tem papel importante na insônia.


Passos para lidar com a insônia na TCC
  • ·         Avaliação dos hábitos do sono;
  • ·         Endenter os mecanismos da insônia;
  • ·         Higiene do sono e modificação do estilo de vida;
  • ·         Controle de estímulos;
  • ·         Restrição do sono;
  • ·         Treinamento de relaxamento;
  • ·         Imagens mentais positivas;
  • ·         Reestruturação Cognitiva.

Avaliação dos hábitos de sono: Manter um diário ou registro dos seus hábitos de sono. Nesse registro você pode colocar a hora em que foi pra cama; hora em que adormeceu; horas dormidas; interrupções do sono; hora em que despertou; se fez cochilos durante o dia e avaliação da qualidade do sono em si (bom, regular ou ruim).
Entender os mecanismos da insônia/sono: o que é sono REM? Quais são os estágios que o período de sono atravessa? É importante se informar sobre a fisiologia do sono e da insônia.
Higiene do sono e modificação do estilo de vida: Essa é a espinha dorsal do tratamento, tão fundamental quanto a própria reestruturação cognitiva (mudar os pensamentos relacionados ao problema). Mas o que é higiene do sono? Trata-se medidas que melhoram consideravelmente a qualidade do nosso sono, tais como:
·         Não ingerir bebidas à base de cafeína (chá mate, refrigerantes e o café);
·         Não realizar outras atividades em cima da cama, além da atividade sexual e dormir. Nada de comer na cama, ver televisão, fazer o trabalho do escritório e etc;
·         Proporcionar um ambiente harmonioso para o sono: temperatura e luminosidade adequada para o quarto; o lugar também deve estar silencioso;
·         Realizar atividade física até 4 horas antes de ir se deitar;
·         Ter uma rotina ao acordar que aumente a exposição à luz do dia o mais rápido possível;
·         Evite fumar;
·         Tentar estabelecer um ritual de ir para a cama e “desligar-se” à medida que essa hora se aproxima (um banho, chá de ervas, rezar, meditar são úteis para te acalmar depois de um dia agitado);
·         Evitar comer muito antes de deitar.
Outras dicas são: troque seus lençóis, travesseiros...deixe a sua cama o mais confortável possível. Se não conseguir dormir até 15 minutos depois de deitar, não fique brigando com a cama; levante e faça uma atividade monótona ou repetitiva até o sono voltar. Não fique de olho no relógio esperando os 15 minutos.
A insônia é um problema sério, que intensifica outras doenças como o estresse. Caso esteja apresentando problemas para dormir nas duas últimas semanas e mesmo utulizando essas dicas o problema permaneça, procure ajuda!

Referência Bibliográfica
 Wright, H.J e col., Terapia Cognitivo-Comportamental de Alto Rendimento para sessões breves com intervenções de TCC, Artmed, 2012.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Terapia Cognitiva

O pressuposto básico da TCC foi formulado por Aaron Beck nos anos 60, e é o seguinte:
As crenças que temos sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre o futuro, determinam o modo como nos sentimos: o que e como as pessoas pensam afeta profundamente o seu bem estar emocional (Beck e Kuyken, 2003)

A TCC é uma terapia que tem características distintas das demais por:
·         Ser breve, estruturada e orientada para o presente.
·         Direcionada para a solução de problemas atuais e modificar os comportamentos disfuncionais
Na terapia cognitiva ajuda a pessoa a perceber que suas emoções são derivados dos padrões de pensamentos que, pautado nas crenças, direcionam a maneira como as pessoas interpretam as situações as que estão expostas.
Os nossos pensamentos tem a capacidade de influenciar nossas emoções e também serem influenciados por elas. Nós somos ativos na construção de hipóteses e teorias sobre o mundo e as coisas. Toda observação da realidade existe a partir de uma teoria criada por nós.  Pensar é interpretar essa realidade e a nós mesmos. A terapia Cognitiva busca basicamente intervir sobre os pensamentos para mudar emoções e comportamentos.
Mas o que tudo isso significa? Que transtornos psicológicos surgem a partir de formas distorcidas de interpretarmos a nossa realidade. E que o tratamento deles depende reestruturarmos a forma como damos significado e interpretamos a nós mesmos, o mundo e os outros.

Fonte:  A terapia Cognitiva – Psicologia da Personalidade (Maria Aparecida Junqueira Zampieri – UNORP – 2011)

domingo, 23 de junho de 2013

Ansiedade e Relaxamento

A ansiedade e o stress são temas recorrentes no cotidiano da maioria das pessoas que moram em cidades grandes. E embora a ansiedade seja muitas vezes avaliada de forma negativa, ela é necessária em nossas vidas, já que é uma resposta que visa nos proteger, nos preparando para reagir a qualquer tipo de ameaça. Quando nos deparamos com uma situação de stress, o sistema nervoso autônomo simpático é ativado, liberando através das glândulas supra-renais os hormônios epinefrina e norepinefrina na corrente sanguínea. A partir daí, são observadas uma série de mudanças fisiológicas como: aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial, elevação da atividade das glândulas sudoríparas, aumento do nível de açúcar no sangue, vaso constricção, entre outros. Em pessoas que estão constantemente sob stress ou ansiosas, o terapeuta da TCC pode utilizar técnicas para lidar com tais sintomas. Uma dessas técnicas é chamada de relaxamento muscular progressivo, criado pelo fisiologista Edmund Jacobson. 
Esta é uma técnica que utiliza os movimentos de contração e relaxamento muscular abrangendo uma série de grupos musculares e emprega também a respiração, provocando no organismo um alívio da tensão muscular e uma elevação do sentimento de bem estar. Certas medidas devem ser adotadas para que o relaxamento muscular progressivo seja eficiente:

  • Entender corretamente a importância do relaxamento no processo terapêutico, o ambiente deve ser agradável, confortável e tranqüilo.
  • Realizar o relaxamento muscular progressivo em casa. 
O relaxamento muscular progressivo se inicia com um exercício de respiração diafragmática, onde o paciente é ensinado a respirar fazendo movimentos de inspiração expandindo o abdômen, e expiração contraindo este. Após a aquisição de uma respiração mais lenta e tranquila serão iniciados os exercícios envolvendo os grupos musculares. Os braços deverão ser estendidos com as mãos fechadas e os músculos deverão ser tensionados por aproximadamente 5 segundos, e em seguida deverão ser relaxados por aproximadamente 10 a 15 segundos. É importante que o paciente neste momento possa se atentar para os músculos e as sensações de tensão e relaxamento. Este exercício será repetido utilizando pulsos, bíceps, tríceps, pescoço, pálpebras, ombros, maxilar, lábios, pernas, pés, entre outros. Procure registrar o grau de relaxamento alcançado em cada sessão.
   

Nosso vazio...


sábado, 4 de maio de 2013

“Ó céus! Ó vida! Ó azar!" Desenho Lippy & Hardy

Um dos desenhos mais clássicos da Hanna Barbera. Os personagens principais são o leão Lippy e a hiena Hardy. Lippy sempre bolava planos mirabolantes para os dois se darem bem, mas Hardy, com todo o seu pessimismo, nunca acreditava que teriam sucesso. Nessas horas que ele dizia a famosa frase: "Ó céus! Ó vida! Ó azar! Isto não vai dar certo!”

Lippy e Hardy dois estilos cognitivos de perceber a realidade, Lippy é o estilo otimista a abertura a aprendizagem, mesmo diante da frustração. A busca de oportunidades, a valorização do processo mais que um resultado pronto e acabado. Hardy o estilo depressivo, os pensamentos negativos, a visão dicotômica de tudo ou nada, 8 ou 80. A persistente impotência em lidar com a vida. Diante das mais diversas situações da vida você escolhe o estilo Lippy ou Hardy?

Vamos aproveitar a deixa do Hardy para falar um pouco sobre depressão. A depressão é real, apresenta causas reais e exige suporte efetivo: Terapia Cognitiva Comportamental e dependendo da severidade do quadro, a prescrição de antidepressivos por um psiquiatra. A pessoa deprimida desenvolve um olhar negativo diante dos fatos.  Assumir uma atitude de buscar tratamento é fundamental para superar o isolamento e a baixa estima. A culpa, a ansiedade, a irritabilidade e a perda de motivação são esperadas na depressão. Funções cognitivas como: memória, atenção e organização do pensamento também são afetadas. Podem ocorrer pensamentos suicidas.

A depressão não é falha de caráter ou preguiça, é adoecimento do humor.

A depressão caracteriza-se por uma baixa reatividade frente o ambiente, diminuição da capacidade de sentir prazer, alegria e entusiasmo. Sentimentos de desprezo por si mesmo, se culpa exageradamente por pequenas falhas, podendo sentir-se responsável por tudo que acontece de errado ao seu redor. Diminuição da confiança em si mesmo produzindo um sentimento de insuficiência e incapacidade. Estado de vulnerabilidade, choro muito constante, ansiedade muito persistente.

 Beck, 1979  postula a ideia de que a depressão tem como causa primária as cognições distorcidas:

    a) indivíduo se vê como inadequado, incapaz e fracassado, e atribui às experiências desagradáveis responsabilidade pessoal.
    b) interpreta de forma negativista, é como se o mundo estivesse pedindo muito dele ou apresentando obstáculos insuperáveis.
    c) visão negativista do futuro, antecipa dificuldades e o sofrimento parece que permanecerá indefinido.

    Esquemas são padrões cognitivos estáveis, que são ativados em certas circunstâncias para categorizar e avaliar as experiências. A pessoa tem a impressão que suas representaçõe  da realidade (distorcidas) são verdadeiras.
 O que fazer?  
1-Perceber os pensamentos negativos – evitar  a generalização (acreditar que algo negativo que tenha ocorrido uma vez irá sempre ocorrer) – evitar a desqualificação das experiências positivas (cuidado em selecionar e valorizar SÓ aspectos negativos). Busque rever as distorções de pensamento, analise-as em bases racionais.
2-Não se culpar - depressão é adoecimento do humor; não é falha de caráter ou preguiça

3-Compreenda a importância do diagnóstico e tratamento - os resultados são muito positivos com tratamento psicológico, através da Terapia Cognitiva-Comportamental e em casos acentuados associando-se com acompanhamento psiquiátrico.  

4-Automonitoramento e auto-avaliação: perceber a relação entre o o pensar e o sentir (SEMPRE).

5-Reestruturando Cognitivamente (revisão de crenças disfuncionais e construção de novas crenças).

6-Compreender o tema percepção, a atribuição de significados; bem como a construção sócio-cultural de seus significados e crenças.

7- Registro de pensamentos disfuncionais. (RPD) Seu terapeuta vai lhe entregar como tarefa.

8-Estabelecer o funcionamento sistêmico da depressão: crenças – gatilho - pensamentos automáticos  - confirmação das crenças – produção de alterações fisiológicas, comportamentais, cognitivas e emocionais.

9-Análise da Narrativa (Refletir nas estórias sobre: si mesmo, situações de vida, pessoas --> procurar estabelecer padrão de pensamento repetitivo nas diversas narrativas)

10- Uso correto dos medicamentos, caso seja necessário.  

Muitas destas estratégias serão treinadas durante o processo psicoterapêutico. Em alguns meses, os sintomas da depressão diminuem até desaparecerem.

Para finalizar, matar as saudades e até conhecer os estilos de Lippy e Hardy, segue um pedacinho do desenho deles: 




quinta-feira, 21 de março de 2013

O que são erros cognitivos?

Quando estamos diante de uma situação, a primeira coisa que fazemos é interpretar esta situação a partir das nossas precepções, nós temos um pensamento automático sobre ela. Este pensamento automático vai determinar que tipo de sentimento será despertado pela situação e influenciará qual o comportamento que teremos. Isso acontece devido a nossa tendência a acreditar em nossos pensamentos e desta forma preservarmos o nosso controle e até a nossa sobrevivência. Pensamentos podem ser automáticos e elaborados, positivos ou negativos, verdadeiros ou falsos quanto à situação real. Na TCC (Terapia Cognitivo Comportamental)  o paciente é estimulado a identificar e avaliar seus pensamentos automáticos negativos sobre as situações. E desta forma, verificar e corrigir possíveis pensamentos distorcidos que ele constrói devido a esta avaliação imediata, que estejam alterando o seu humor e até prejudicando a realização dos seus objetivos. 
Por exemplo, quando temos um pensamentos de que não somos capazes de realizar alguma tarefa, o sentimento que isso desperta seria, tristeza e frustração e como resultado nem tentamos realizar a tarefa; pensamentos de ameaça insuportável nos levarão a sentir medo e até transtornos de ansiedade; pensamentos de violação de regras nos levarão a sentir irritação e até raiva ou ódio. As distorções encontradas no pensamento automático disfuncionais são denominadas de erros cognitivos

As distorções freqüentemente encontradas na Terapia Cognitivo-Comportamental são:

PERSONALIZAÇÃOAssumir-se como responsável por alguma situação externa quando na
verdade são outros os fatores responsáveis. Considerar-se
fundamentalmente responsável por eventos que não dão certo, mesmo
se estando além do seu controle.Exemplos “Sou o responsável por meu partido ter perdido”; “Ele está distante, devo ter feito algo de errado”; “Trago azar para as pessoas”; “Porque fui grosseiro em casa, meu time está perdendo”; “Está chato porque não sei falar nada de interessante”; ou “O jantar não deu certo porque não recepcionei direito os convidados”

PENSAMENTO DICOTÔMICO OU POLARIZAÇÃO:Perceber as experiências pessoais em apenas duas categorias extremas e excludentes. Perceber as situações em termos absolutos. Branco ou preto. Oito ou oitenta. Perfeito ou totalmente inválido. Tudo ou nada. Exemplos “Meu desempenho não foi perfeito, devo ser um fracasso total”; “Meu apetite é totalmente descontrolado”; “Deu tudo errado na festa”; “Ninguém gosta de mim”; “Se eu não tirar sempre nota máxima, serei um fracasso”; “Não tenho ninguém, estou completamente sozinho”; “Meu pai não acredita na minha capacidade”; “Ninguém me dá valor”; “Já estou fazendo porcaria de novo”; “Ou faço a dieta rigorosamente ou é a mesma coisa de que não fazer nada”; “Não consegui deixar de fumar um cigarro depois desse cafezinho, vou comprar uma carteira para fumar ela inteira”.


ADIVINHAÇÃO DO FUTURO OU PROFECIA AUTO-REALIZANTEPrever como certo um evento negativo projetado no futuro, sem evidências concretas que o justifiquem. O indivíduo comporta-se e reage
como se sua expectativa negativa sobre o futuro já fosse um fato estabelecido da realidade.Exemplos
“Quando virem que jogo mal, todos rirão de mim”; “Ninguém vai dar atenção para mim na festa”; “Vou ficar sozinha”; “Tive um problema no emprego, já não vou conseguir dormir direito esta noite”; “Sem dar uns goles antes não vou conseguir curtir aquela festa”; “Não vai dar certo”.

Esses são só alguns exemplos de erros cognitivos, existem muitos outros, o importante é identificar seus pensamentos automáticos disfuncionais e discutir na terapia o conteúdo destas distorções. 


segunda-feira, 11 de março de 2013

É básico na TCC


 É especialmente marcante para os cognitivistas a frase do filósofo grego Epíteto, que afirmou no século 4 a.C.:

“Os Homens não se perturbam pelos fatos em si mas pela interpretação que fazem deles.”
Essa é a premissa básica da TCC, pois não são os fatos que nos afetam, mas sim os significados que damos aos fatos. Pense nisso! 

domingo, 3 de março de 2013

Teste - Sentir, pensar e agir


Para conhecer o teste completo, acesse o site http://doyouneedtherapy.com/ . A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:

TRANSTORNOS DO CONTROLE E DE IMPULSOS
( ) Ás vezes não sou capaz de controlar minha raiva
( ) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes traz grandes problemas
( ) Estou preocupado com minhas apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quando jogo

ABUSO DE SUBSTÂNCIAS
( ) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer minhas necessidades
( ) No ano passado, tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, drogas ou de cigarros
( ) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

DEPRESSÃO
( ) Nas duas últimas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias que costumava gostar
( ) Há cerca de 15 dias venho prensando com frequência que quero morrer
( ) Pelo menos durante as duas últimas semanas venho me sentindo deprimido quase todos os dias

FOBIAS ESPECÍFICAS
( ) Tenho um medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
( ) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade em desenvolver o meu trabalho ou em conduzir minha vida de maneira normal
( ) Tenho muito medo de um objeto ou situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

FOBIAS SOCIAIS
( ) Sinto medo de ficar perto das pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irrcionais ou excessivos
( ) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
( ) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO
( ) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meio radicais, para evitar o ganho de peso
( ) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como menos ou me exercito de forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
( ) Não estou disposto, ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o meu peso saudável

TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICO
( ) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
( ) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiencia terrível ocorrida no passado
( ) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
( ) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
( ) No mínimo durante os últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
( ) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

TRANSTORNO BIPOLAR
( ) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
( ) Meu humor muda rapidamente, de depressiva a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
( ) Durante o ano passado o meu humor mudou mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC)
( ) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos sem conseguir parar
( ) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
( ) Acredito que esses pensamentos podem ser irracionais ou exagerados. Penso ou faço repetidamente algumas coisas, para me acalmar ou impedir que algo terrível aconteça

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Pontuação

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que sua saúde mental esteja muito bem! Caso contrário, lembre-se que esta não é a versão completa do teste e mesmo que fosse não tem o intuito de fazer diagnósticos. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com seus problemas.Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por uma situação de angústia que poderia ser bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria de problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar deste desconforto. 

(Fonte: Revista Scientific American - Mente Cérebro, nº 36, 2013)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Terapia Cognitivo Comportamental e o Envelhecimento

De acordo com a terapia cognitivo-comportamental o foco de atuação do terapeuta é sobre os pensamentos deflagrados por uma dada situação estimulante, uma vez que tais pensamentos geram os sentimentos e os comportamentos que caracterizam a relação do indivíduo com o ambiente que o cerca. 
Em relação a questão da terceira idade, trata-se de um período no qual um conjunto de situações estimulantes pertinentes a esta faixa etária podem trazer pensamentos e sentimentos muitas vezes negativos. Como fatores direta ou indiretamente responsáveis pelas dificuldades enfrentadas nessa fase da vida podemos citar: 

a) Esteriótipo negativo do idoso - persiste um conjunto de crenças a sobre sobre a terceira idade que caracterizam um estereótipo negativo do idoso. 
Ex: " Velhice é a época da regressão" 
" É o período no qual as funções se tornam mais lentas"
 
" O idoso não tem condições de trabalhar"
 
" O idoso não tem vida sexual, isso é coisa para jovens."
 
" O idoso é feio."
 
" O idoso é um ser dependente de outros, tornando-se um peso para esses."
 
" O idoso é esclerosado, não sabe o que fala"
 

Essas crenças precisam ser reavaliadas, discutidas e substituídas por outras mais adequadas às reais condições do idoso e a repercussão desses preconceitos na vida deste deve estar bem clara para o psicólogo. 

b)
 Doenças crônicas: Doenças do coração, diabetes, reumatismo, osteoporose, artroses e etc. Nesses casos o uso de técnicas de reestruturação cognitiva propostas na TCC levam o cliente a perceber que na maioria das vezes seus problemas não são tão limitadores ou humilhantes quanto ele acredita. 

Entretanto, o idoso pode enfrentar o prolongamento de uma existência meramente vegetativa ou próxima dessas condições. Nesses casos o psicoterapeuta deve ter uma atitude empática com as dificuldades enfrentadas mas deve reforçar positivamente as mínimas potencialidades do cliente e motivá-lo para dirigir suas forças para o que pode fazer.
 

As técnicas de relaxamento podem ser úteis assim como reatribuições cognitivas, quando o cliente acha que sua doença é uma espécie de punição por atos do passado. A aproximação da família e pessoas queridas é fundamental e o psicoterapeuta deve agir ativamente no sentido de facilitar a resolução de conflitos antigos, estimulando a compreensão e mesmo o perdão entre as partes envolvidas.
As perdas de visão e auditivas podem ser amenizadas com recursos mecânicos, como óculos e aparelho para surdez. Investimentos na aparência ou na melhoria da qualidade de vida ( cirurgias ortopédicas ou oftálmicas) devem ser estimulados, desde que não hajam contra-indicações e os riscos sejam bem avaliados.

c) A aposentadoria . O paciente deve ser estimulado a procurar outras ocupações que possam lhe trazer alguma realização como: trabalhos voluntários alternativos, novas formas de lazer ou mesmo uma nova atividade profissional. Muitas vezes a auto-estima do indivíduo sofre um baque porque a nossa cultura supervaloriza a produção.

d) Saída dos filhos de casa. Mais uma vez o paciente deve ser estimulado a criar uma nova rotina que envolva outros interesses. Além disso é importante verificar junto com ele outros objetivos de vida, além da criação dos filhos. 
e) Viuvez, mesmo quando ambos brigavam muito. Ao contrário do que se pensa, não são apenas aqueles "casais modelos" que sofrem com a viuvez. Casais que brigam frequentemente e permanecem juntos anos, ainda que reclamando bastante um do outro, sofrem muito a morte do(a) companheiro(a), pois estão habituados a essa estimulação emocional e o afeto existe, mesmo nessa aparente turbulência do relacionamento. A perda de amigos e parentes também é vivida intensamente, por levar o idoso a se deparar com a eminência de sua própria morte e ter que se adaptar à vida sem a presença de pessoas com quem ele convivia. 

f) Perda de autonomia. Com alguma frequência os filhos acham que devem gerenciar a vida de seus pais idosos e vão pouco a pouco retirando sua autonomia financeira e de decisões. É importante desenvolver um treino assertivo para que esses pais possam limitar atitudes abusivas, expressando seus sentimentos e necessidades. 

O sucesso da terapia depende do engajamento do cliente e de sua disponibilidade para mudanças. Alguns usam o espaço de terapia para desabafar ou buscar uma aliança com o terapeuta para culpar fatores externos por suas dificuldades. Nesses casos, quando o terapeuta cobra a responsabilidade do próprio pelo rumo de sua vida e suas relações, o cliente costuma interromper o tratamento. 
A alta ocorre quando ambos julgam que o motivo da queixa foi superado e os objetivos atingidos. Em quadros de demência ou transtornos de personalidade, o acompanhamento médico e familiar é indispensável.
 


Fonte: Aspectos Biopsicossociais do Envelhecimento e o Modelo Cognitivo-Comportamental de Psicoterapia (Monique Bertrand)





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Estresse e ansiedade sob a abordagem do TCC


A ansiedade é uma emoção comum a todos nós e está presente em nosso cotidiano, mas nem sempre conseguimos lidar com ela e com sua repercussão em nossas vidas. Além da inquietação e do nervosismo, muitos sintomas podem estar associados a ela, como tensão, falta de ar, palpitação, tremor, irritação, tontura, ondas de calor, arrepios de frio, dificuldade em se concentrar, fadiga, entre outros.
Muitas situações podem causar ansiedade e serem trabalhadas na psicoterapia, principalmente aquelas que põe em cheque nosso senso de segurança, confiança e previsibilidade, como por exemplo:
·         - dificuldade em se fazer uma escolha;
·         - dificuldade em solucionar problemas;
·         - preocupação sobre como comportar-se em determinadas situações ou frente às outras pessoas;
·         - falta de definição de objetivos profissionais ou pessoais;
·         - receio do que pode acontecer em uma situação desconhecida ou inesperada;
·         - falta de habilidade para administrar melhor seu tempo;
·         - medo de perder pessoas queridas ou coisas importantes para si;
·         - perda real ou danos no relacionamento amoroso ou outros tipos de relacionamento;

Formas para lidar com o estresse e ansiedade

Um exercício proposto em terapia, é o de buscar interpretações alternativas a essas interpretações ruins ou negativas e, em paralelo, capacitar a pessoa para avaliar eventos com maior realismo, neutralizando o sentido de risco ou perigo exagerado que ele vem imprimindo ao seu real, interno e externo.
Outra possibilidade é de encontrar os indicadores iniciais (ou gatilhos) que geram ansiedade ou estresse. Esses estímulos podem ser externos (uma situação ou evento específico); ou internos (pensamentos, imagens e interpretações). Em seguida, considerá-los como hipóteses (não como questões absolutas e incontestáveis), podendo questioná-los e confrontá-los (verificando se suas hipóteses são verdadeiras, falsas e sua probabilidade de ocorrência).
O terapeuta pode pedir para que você identifique a relação existente entre preocupação e ansiedade/estresse, atendo-se ao quanto essa preocupação interfere nessas duas questões. Entendendo essa relação e a interferência que a preocupação tem sobre esses dois aspectos, você passa a ter mais controle e opção de escolha de como agir frente às diferentes situações de sua vida.

Preocupação e pré-ocupação
Outro ponto abordado é a questão de que a preocupação é uma pré-ocupação, ou seja, um ocupar-se antecipadamente. Esse comportamento gera um dispêndio de energia antecipado à situação em si, sendo algumas vezes desnecessário; uma vez que não se tem certeza absoluta do que a situação exigirá, quando realmente ocorrer. Por isso é necessário estar com o foco no momento presente, ao invés de pensar nas possibilidades futuras (em geral negativas!) causadoras de ansiedade, dispêndio de energia e estresse.

É necessário também aprender a solucionar problemas, pois algumas vezes a ansiedade e o estresse provêm da inabilidade em lidar e resolver os mesmos. Uma técnica para desenvolver essa habilidade é seguir os seguintes passos:


1º) Definição ou foco do problema;

2º) Buscar alternativas de solução; 

3º) Tomada de decisão (melhor solução entre as alternativas pensadas) e execução e, por fim, verificação da solução.

O manejo do tempo é outro ponto abordado. É preciso estabelecer prioridades organizando o que é importante, ao mesmo tempo em que se trabalha com o que é urgente, além de delegar responsabilidades e praticar a assertividade.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um pouco mais sobre a TCC - Terapia Cognitivo Comportamental


A utilização da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) nos consultórios psicológicos vem crescendo a cada dia, a despeito dos inúmeros mitos que ainda sobrevivem, sobretudo no Brasil, a respeito desta abordagem.
Muitos terapeutas ainda acreditam no mito de que a TCC seria uma abordagem limitada, formada por um conjunto de técnicas estereotipadas, rígidas e pré-definidas, a serem aplicadas mecanicamente, sem levar em conta as características individuais de cada cliente, como seu nível de desenvolvimento e seu contexto ambiental.


Tendo sido desenvolvida a partir dos princípios da aprendizagem e da ciência cognitiva, descobertos através de experimentos e formulações teóricas rigorosas, a TCC propõe que os problemas emocionais e
comportamentais surgem como conseqüência de “um modo distorcido ou disfuncional de perceber os acontecimentos, influenciando o afeto e o comportamento” (Falcone, 2001: 50).


Para ajudar seu cliente com a TCC, o terapeuta busca entender como interagem, na vida daquele cliente
em particular, três fatores: o comportamento (o que a pessoa faz e como ela o faz), as cognições (o que a pessoa pensa e sente, e como ela pensa e sente), e as condições ambientais (como se estrutura e organiza o ambiente no qual a pessoa vive).

À medida que compreende como estes três fatores interagem, o terapeuta elabora um plano de intervenção para modificar ou corrigir a distorção ou disfuncionalidade que produz o sofrimento. Vê-se assim que, ao contrário de estereotipada, rígida e pré-definida, a TCC é um procedimento que exige
alta flexibilidade e criatividade por parte do terapeuta, que deve adaptar e ajustar seu plano de trabalho às condições específicas de cada cliente, como se fosse um alfaiate, que corta a roupa para ajustá-la às medidas do cliente.

FALCONE, Eliane (2001) Psicoterapia cognitiva. In: RANGÉ (2001).